O segundo encontro realizado na última terça-feira, dia 5/6, pela Comissão de Mães das escolas Gani-Lubavitch trouxe tema polêmico e bastante atual: o uso da Internet. A programação teve palestra ministrada pelo advogado especialista em crimes de Internet, Rony Vainzof, do escritório Opice Blum, seguida de mesa-redonda com os rabinos das escolas. As mães lotaram o salão do Eshet Chail, levantando questões e debatendo suas dúvidas.
Rony Vainzof expôs o tema de maneira clara e instigante, demonstrando como a Internet é algo infinito que pode trazer consequencias drásticas quando há uso indevido. “Na Internet, não há filantropia. Tudo o que está lá, está por um propósito: o de adquirir informação confidencial de quem a utiliza”, alertou o advogado. Além disso, Vainzof expôs como as punições vêm ficando cada vez mais severas para casos de mau uso da rede no Brasil. Ele disse que o país tem uma das legislações mais avançadas nesse sentido. Vale citar o exemplo de um menino que foi sequestrado por exibir na sua página de rede social, os pertences de seus pais, seu endereço, hábitos e horários.
A palestra levantou questões sobre a falta de intenção das pessoas em querer prejudicar alguém por meio da rede e o desconhecimento dos tipos de punição para esses crimes. “Na Internet, não há direito ao arrependimento. O que foi escrito lá uma vez, fica para sempre”, ressaltou Vainzof, um dos autores da cartilha da OAB-SP: “Uso seguro da Internet para famílias”, acessível aqui.
Para Rebe Ilan Ende, coordenador do Cheder Lubavitch, os pais também estão sujeitos ao uso indevido da rede e isso pode prejudicar a educação dos filhos neste sentido. Ele questiona a conduta do uso extremo dos celulares com internet e a extensão do expediente de trabalho ao computador de casa. “É difícil impor limites aos filhos se nós mesmos não sabemos, muitas vezes, usar a Internet”, afirma o rabino.
Mãe de um jovem de 20 anos, Bracha Gloiber não quer deixar o filho usar a Internet livremente, mas sabe que o mundo de hoje, em certos aspectos, pode exigir o uso de maneira mais vulnerável. “Um menino que faz faculdade deve ter acesso à rede. Cabe a mim abrir o relacionamento com meu filho, expor a realidade e ensinar o que é certo, incutindo confiança nele para tomar suas decisões”.
