Quebrar o isolamento em relação aos meios familiar e social e aumentar a possibilidade de conhecer. Com essa filosofia, a coordenação do Gan e a diretoria do Gani-Lubavitch em parceria com a Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (ADID) estão realizando o sonho de uma menina portadora da síndrome: ela está se preparando para ser estagiária e auxiliar de morá no Berçário da escola. O processo de inclusão é longo, mas muito enriquecedor.
Com base em linhas pedagógicas específicas, o Programa de Educação Profissional da ADID qualifica o deficiente intelectual para se inserir no mercado de trabalho e o principal, desperta as aptidões para a escolha profissional. Os alunos da Associação têm aulas que permeiam variadas esferas do conhecimento, como Português, Matemática, Ciências, Informática, Educação Física, Música, Artes e Educação para o Trabalho. Segundo a psicóloga da ADID Angela Maize Alves “o treinamento é demorado até gerar familiaridade com o ambiente de trabalho, para que o aluno possa permanecer sozinho no local. Até lá, o aluno é orientado e acompanhado por profissionais da ADID, bem como a empresa e seus profissionais. Tudo é minimamente supervisionado”. No caso da E.Z., aluna da ADID em treinamento, neste primeiro momento ela frequenta a escola uma vez por semana durante duas horas. No dia seguinte, participa do grupo de orientação vocacional da ADID e relata suas experiências.
Para a morá Chani Zajac, coordenadora do Gan, “a entrada da E.Z. no meio de convívio dos alunos é uma oportunidade para aprender a aceitar o diferente. Já é visível a empolgação das crianças com a participação dela na escola. É muito bom viver essa experiência aqui”. A estagiária já prepara materiais das aulas de artes e cada vez mais, conhece a rotina da kitá. “Quem está mais feliz com isso tudo é a própria E.Z.”, afirma a mãe dela, L.Z., referindo-se ao estágio como a maior conquista da vida da filha. A ideia para inserir a E.Z. no corpo docente da escola partiu da morá Beila Shapiro que, além de morá no 3° colegial, é morá particular de hebraico da jovem há alguns anos. “Morá Beila percebeu o quanto a E.Z. tem jeito para lidar com crianças e realmente ela adora! Está agora se profissionalizando em pedagogia”, comemora a mãe.
Com a ajuda dos psicólogos da Associação, o objetivo é criar mais responsabilidade na rotina do aluno e fazer com que ele mesmo perceba seu amadurecimento. “Desde que começou a trabalhar, ela está se sentindo adulta e mal consigo descrever o nível de felicidade da minha filha”, afirma. “Eu trabalho”, “eu sei ser professora”, são algumas frases da E.Z. que transparecem essa conquista – não só dela, mas dos professores, pais, alunos e comunidade.
