A luz que refletia do estacionamento do Estádio do Pacaembu naquela manhã de domingo, não vinha apenas do reflexo do sol forte que brilhava no céu. Era a Parada de Lag Baomer 5773, organizada pelas escolas Lubavitch e Gani e Yeshivá Tomchei Tmimim, evento que fez muita gente parar, literalmente, e deixou aquele calor de domingo mais especial no coração de quem passava por lá. “A Parada de Lag Baomer é a base da educação, pois o mostra ao judeu que ele deve ser um yid nas ruas e não apenas dentro de casa. É a maior manifestação de orgulho judaico da nossa geração”, explica rabino Shamai Ende, Rosh Yeshivá da Tomchei Tmimim Brasil.
A organização da Parada foi assunto unânime entre os elogios proferidos pelos expectadores. “Até a Companhia de Engenharia de Tráfego, a CET, elogiou o controle do fluxo de carros vindos ao Pacaembu”, revela rabino Moti Begun, diretor das escolas Lubavitch e Gani. “Conseguimos que varias sinagogas, escolas e instituições participassem”, acrescenta rabino Mendy Konsepolsky. Além disso, o estádio tinha brinquedões – oferecido pelo Centro Novo Horizonte - barraquinhas de comidas, trenzinho e até tirolesa. Rabino Noach Gansburg, do Centro Novo Horizonte, colaborou com a diversão e desfilou num Fusca de colecionador, réplica do famoso Herbie, o fusca que virou astro. Além disso, uma parceria com as lojas PBKids e RiHappy propiciou que vários jogos e brinquedos ficassem expostos ao uso e alguns foram sorteados, e os quatro vencedores do grande prêmio sobrevoaram S. Paulo a bordo de um helicóptero.

Os 12 Pessukim do Rebe foram o tema da Parada deste ano. O Rebe elegeu essas passagens da Torá e ensinamentos dos Nossos Sábios como fundamentais para toda criança saber e recitar todo dia. Para adequar os profundos ensinamentos trazidos em cada frase, carros alegóricos desfilaram pelo estacionamento do Pacaembu, ilustrando e ensinando a Torá para os expectadores. Sinagogas e escolas da cidade patrocinaram os carros, que foram feitos pelos alunos do Lubavicth, do Gani e da Yeshivá, além de faixas, cartazes e fantasias.

Transformação extrema
Um exemplo é o carro do passuk “Shemá Yisrael”, em que quatro manequins representando judeus de várias correntes religiosas diante de uma maquete do Kotel – o Muro das Lamentações. As alunas da turma de Seminário do Gani foram as idealizadoras deste carro e o bastidor da montagem divertiu as meninas e exigiu muita dedicação. Raquel Muller, aluna da turma, lembra que receberam apenas o tórax dos manequins e “tivemos que quebrar a cabeça para pensar como construir pernas e braços”. A estudante Dafny Rosemberg conta que “a tarefa nos deixou felizes, adoramos ver o carro desfilando. Mas foi um desafio”. Outra aluna do Seminário, Dina Eliezer, revela que preencheram todas as partes que faltavam dos manequins com jornal e “praticamente criamos novos bonecos”. Ao final, após muita diversão e trabalho árduo, elas montaram um dos carros que mais se destacou no desfile de Lag Baomer.
Comunicação certeira
Uma novidade que acrescentou bastante em alegria na festa foi a presença do jornalista, blogueiro, palestrante e mestre de cerimônias, Alberto Danon. Profissional multimídia e com uma voz imponente, Alberto deu um tom a mais no show. Além de descrever, ele conseguiu manter atentos os visitantes. “Devemos focar não somente na clareza das informações, mas passá-las de forma vibrante, condizente com o alegre momento”, afirma Danon. Este é o truque para driblar empecilhos gerados em um local muito grande e ao ar livre, como é o estacionamento do estádio. “Em um auditório, o foco das pessoas é o palco. Neste caso, num domingo lindo de sol, ao ar livre e com muitas atrações, é bem mais difícil atrair a atenção do público. Então, faz-se ainda mais necessário o uso de eloquência, de energia vibrante, para que o público não se disperse e possa prestar atenção, aproveitando o evento em sua plenitude”, explica o profissional, revelando um dos porquês do sucesso de seu trabalho.
Alberto Danon afirma ainda que “as mensagens-chave ficaram certamente enraizadas em todos os presentes e, principalmente, nas crianças. Kol Hakavod e continuem sempre assim: trabalhando fortemente em prol da manutenção do judaísmo de forma moderna, antenada, alegre, contagiante, com conteúdo, inteligente, criativa e envolvente!”. Com essa torcida, a Parada do ano que vem já promete ser um sucesso.
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